Até que tudo acabe...
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Dependência
Eu, ser de muitas palavras e gestos,
Sorriso fácil antônimo aos restos.
Pessoa que acredita nas pessoas,
Humano com fé nos outros atos...
Mesmo com a história pra distorcer estes fatos...
Respiro e transpiro a confiança em coisas tolas!
Sou o atrito repentino da língua
Ao tocar o céu da boca.
Sou o inapropriado dentro do inacabado,
Entre o arpejo errado das notas soltas...
Palavras mortas residindo na vida,
Vida morta por não conter palavras...
O que sou, se não o calor residente
No estalo febril dos dentes
Com a dor dos olhos em suas órbitas?
Se não o ódio perpendicular,
A ação de atrair e repulsar
Com dores, deixando as letras inaptas?
De que adianta escrever todos os sentimentos
Dos complexos amores de um mundo odiento
Sem você para ler?
Concluo, deixando o grafite em seu divã
De linhas cheias desta folha anciã,
Sou dependente do escrever!
(S. L. Schiapim)
Garoa
As palavras caem sobre mim
Como a garoa de um dia frio
Dormem sobre o livro aberto da vida
As curtas palavras, porém sofridas
Nascem das gotas e tornam-se rios
Que me leva em sua correnteza sem fim...
Levando tudo o que deveras sou
O fígado, os rins e os pulmões
As artérias, a pele e as emoções...
Feridas existentes em um cérebro cansado
Alternando-me para um outro estado
Cambaleando por onde eu vou
Me torno parte integrante da obra
Sou o principal, não o que sobra
Moldo meus pensamentos no que acho certo
Todas as palavras entrando em minha mente
Após meses, sinto-me renovado!
Disposto a parar o que fui, tornando-me melhor!
Minhas palavras, meu remédio
Um 'ex-papel-branco' que vira poesia
Uma 'ex-vida-depressiva' que se torna alegria
Com todas as suas rimas feitas...
Denominem-me como quiserem.
(S. L. Schiapim)
"Tive que parar de escrever por um tempo, estava tudo muito repetitivo... Nessa pausa fiz questão de ler outras coisas, gostar de outras coisas... Enfim, me renovei.
Espero que a leitura de outros temas agradem a vossa leitura..."
Destruição Aparente
O ser humano continua a sua destruição
Andando em círculos, sem direção
Cometendo os mesmos erros de outrora
Um dia com 4 estações
Uma mente com complicações
Observando tudo ir embora...
Minha agonia não fala, não respira, não escreve
Minha inspiração falha, emudece
Levando toda a musicalidade presente
Dentro do meu subconsciente
Como quem apaga letras num papel
E as assopra em seguida...
Protestos sem sentido
Mortes sem necessidade
Agonia que só me faz ranger os dentes
Observando os túmulos de meus parentes
Querendo algum motivo para continuar...
... Continuar, escrevendo.
A pausa poética do respirar
O momento que lembramos que estamos vivos
Enchendo nossos pulmões de poluição
Julgando nosso passado
Com esperança em nosso presente
E com medo do futuro!
Procuro as frases mais puras
Apagando minhas cismas escuras
De podridão deprimente
Sou consumido de indignação
Solto frases sem exclamação
Mas com um som estridente!
(S. L. Schiapim)
"- Eu nem choro mais, pois bem...
Não sei dizer se fiquei mais forte ou se morri também..." - Emicida
Martírio Pelo Tempo
De minha história és o majestoso pioneiro,
Com o movimento contínuo dos seus ponteiros,
Atenuando as dores quotidianas...
Conserva, revela e substitui
O que momentaneamente não flui
Com sua analogia as sensações humanas!
Desperta-me para uma realidade infundada
Me faz temer um amanhã não previsto
Me dá um medo em pensar que fiquei distraída
E me perdi no seu imprevisto
Fazendo de mim apenas uma inexperiente
Deixando meu sorriso menos contente
Afetando meu coração tão machucado
Imponderabilíssimo segundo inacabado...
Também torna a saudade um fardo,
Por ampliar esse doloroso sentimento...
Tornando a falta, FALTA;
Transformando a ausência em AUSÊNCIA...
Em todas as notas do vagaroso instrumento.
Mas quando passas me olhas nos olhos
Desfazendo meus planos de fugir de você
Assim também faz com as feridas,
Que se curam ao te ver.
Eis que é o dono da minha vida,
Ora vejo a sua hora, ora em hora eu vejo você.
Trás consigo todos os minutos tolos,
Fadados a abrir os inúmeros rolos
Que minha pele obnubilada quer ignorar
Separações, tragédias e finais...
Se perderem entre as suas vogais,
Fazendo sua consoante chorar!
E minhas lágrimas já não pedem tempo
Elas preferem se mostrar da forma mais dolorosa
E você olhando nos meus olhos me afronta
Porque sei que nunca vou estar pronta pra te pedir mais tempo
E meu coração tão desatento, já sabe que você passou
E por mais que eu peça pra você agir,
Ainda mais sinto em mim essa imensa dor.
Lágrimas secas pelas horas passadas
Girando em torno de um infinitivo perpétuo
Abstrato ao seu pretérito imperfeito
E todas as outras coisas que nos obrigam estudar
Não finda, não cessa e não pausa
Existe a eternidade em nossos corações!
Segundos, minutos, horas e dias
Seus afazeres são vagos e suas vozes são frias!
Sou o ponto final dos argumentos
Entre o eterno escrever!
(S. L. Schiapim e Luara Potiguara)
"- Minha primeira parceria, escrever junto de outra mente é um verdadeiro espetáculo,
A diferença de escrita e seus toques pessoas ficam nítidos...
É lindo!"
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