sábado, 13 de abril de 2013



Agorafobia


Vou voar,
Salto mesmo sem ter asas.
A atmosfera querendo me ver flutuar,
A gravidade me trazendo pra mais perto
Da poeira primordial dos seres frustrados...
Humanos do tamanho de pequenas pedras
Das quais eu não gostaria de tropeçar.
Cansado de cair, invento asas e plano!

Plano sobre os minutos redundantes,
Ridiculamente limitando todos os sonhos,
Dando sempre um final para eles...
Viajo sobre as horas inacabadas,
Segundos complexos,
Encaro toda nossa ansiedade...
Cancelando todos os relógios.

Mudo o atual sistema cinza,
Jogando outras cores belas,
Que já são belas só por serem cores.
Mas deixo o contraste interno natural,
Mais belo por ser individual,
O preto e branco de nossas dores
Sobre o colorido de nossas vidas,
Deixando o borrão de nossas personalidades!

Observo assim os seres vivos:
Borrões únicos de uma combinação delicada,
Pintados a mão pelo Agora,
Presos na falsa noção do tempo
Esquecendo que ele é ilimitado.
Desejo apenas, pequenas pedras
Que o Agora não tire tuas asas,
Que seus crânios não sufoque
Todo o brilhantismo das suas ideias
Nem o arpejo de suas criações!



- Sérgio Schiapim


"E sim, eu gosto do cinza."





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domingo, 10 de fevereiro de 2013



Anéis de Diamante


Canalizar todas as cores das cidades
Transforma-las em anéis de diamantes
Usando o cinza, só porque gosta da cor
Me livrou do impuro rancor
Sorrisos tortos constantes
Num diálogo onde só existem verdades

Me faz pedidos difíceis
De ignorar o soberano sol
Apagar a própria lua
Deixando somente as estrelas acesas

Ou, para que eu deixe as rimas de lado
O outro ritmo, que mais te agrada
Tocar o mesmo instrumento, inventando notas.
A ineficácia de te resumir em poemas.

Guardamos aqueles problemas
Sempre que outros precisam
Admiração, crescente num sol poente
Fazendo a opaca lua
Refletir sua admiração, de novo.

Se és bela, nas minhas rimas escuras.
Na grafia presa entre as linhas
No ritmo perpendicular que a mesma se exala
Imagino como seria
Com seu sol particular
Iluminando sua pele.

Você é bem mais que essas linhas tortas
Quando te observo sorrir, lendo seus gestos
Como uma coreografia ensaiada de sua reação
Você é bem mais do que dizem
Bem mais do que escrevo...
Quando as vogais e consoantes que existem
São insuficientes.
                          eu invento novas .

Tento, num esforço vão
Como aquele último respiro
Que puxamos do âmago do vazio
Anular todo o meu pensamento sombrio
A cada gota do rancor que retiro
Escutando as letras da inspiração
                          e consigo.

No meu jardim interno
Ideias vagando sem direção
Claramente ansiosas
Esbarraram na realidade
Que você sempre esbarra
Claramente desastrada

Hoje, com insônia...
Passando mais alguns momentos acordado
Com lampejos agregados
Na suspeita de versos outros
Onde 5000 se torna pouco
Para quem já somou infinitos.

Eu queria poder fazer melhor por você,
porque é isso o que você merece.


- Sérgio Schiapim



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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013



Esperar. Alguns sabem fazer isso bem. Acredito que as coisas acontecem no espaço que o universo deixou pra que aconteçam. Não que eu não possa adiantar as coisas, até posso, mas não costuma dar certo.
Anoitece, você não dorme. Amanhece, você tem sono. Até coisas simples da nossa rotina são complexas se você analisar bem. Mas analisar bem pra quem? Minha mente funciona de um jeito curioso.
Me sinto bem no frio, mas é lindo ver o sol aparecer, o calor tocar sua pele, enquanto você escuta aquela música que te faz bem, ou que te faz mal, ou que te faz. Não costumo reclamar dos momentos tristes, me faz dar mais valor ao que me faz contente. Assim como não costumo falar muito de mim.

Incompleto

Sou,
Metade daquilo que aqui se encontra escrito.
O que me faz andar, estalar, atrito...
Vou!
Seguindo a direção das linhas tortas.
Grafia arredondada, cheia de voltas.

Sou,
Metade do rancor que ficou espalhado
Em alguma parte de mim, agregado.
Vou!
Caminhando para longe de todo o lixo.
Reciclando ideias. Meu alvo fixo.

Sou,
Metade vogal, metade consoante...
Protagonista, figurante.
O livro empoeirado da sua estante alta,
Contando metade de alguma história triste,
Metade de um sentimento que está em falta.

Vou!
Cortando metade do longo caminho,
Para a metade de algum lugar,
Que vive metade sozinho...
Sabendo que sou, uma parte, aquilo que senti.
Outra parte, aquilo que fiz sentir.

Os corações que fiz bater.


É como olhar o céu a noite, saber o número de estrelas, fase da lua, mas estar ciente que não posso sair do chão. É como saber todas as notas, conhecer todas as melodias, saber que tem um timbre lindo... e estar ciente de que não pode fazer música. É como conhecer todas as letras, palavras, frases... saber moldar todas elas, sentir todas elas... e não poder escrever.

Enfim, é estar completamente incompleto.



- Sérgio Schiapim

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012


Intermitência 


Cogitando escrever em si mesmo
Palavras de outras pessoas
Por sua caneta ter ficado sem voz
Ideias perdidas, não lapidadas
Por um escritor preso no ilusório
Escrevendo sobre a realidade
Onde estão as letras?
O conteúdo?
Onde estão as cores,
as músicas e as estrofes?
Onde estão as vozes?
Onde eu estou?
O que sou, se não o que escrevo?
O que vivo, se não o que sinto?
E se vivo, por que não escrevo?
É como estar preso em si mesmo
Se alimentando da própria carne
E disparar pelo nada
Como um animal assustado
Por ter se visto no espelho
Observando somente as ideias rasas
Não sabendo nem ser sincero
O acúmulo de energia desaproveitada
Somado a tudo o que desperdicei
Resulta nas nonilhões estrofes perdidas
Nos poemas que acabei começando
Mas com o clima mudando
Eu não os terminei.


- Sérgio Schiapim


"Fim da ausência."

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