quarta-feira, 3 de outubro de 2012


Respiração


Respiro, a aflição de cada palavra
Quando toca a folha, errando as linhas...
Prisioneira de um escritor ruim.
Sou um respeitador da forma escrita
Transformando a letra que está descontente
Numa frase impactante.

Sou a saudade de uma inspiração
Mesclando a incerteza de encontra-la
Lembrar de um anjo avistando seu amigo
Perguntando: Porque foi que descestes?
O imenso sorriso de um sol poente
Quando está para contornar o seu abrigo.

Ouço as sirenes de emergência
Por não escutar mais a batida
Repouso meus ouvidos numa folha
Não sentindo a frequência cardíaca
Que antes era peculiar
Em cada verso, em cada estrofe e em cada vírgula.

Descontente, o sol nascente se apresenta
Sem eu ter escrito algo novo
De mais um dia improdutivo fui vítima
Mas as sensações quotidianas me lembram
A beleza das coisas todas
Quando o estar vivo é bem mais que respirar.


- Sérgio Schiapim







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sábado, 22 de setembro de 2012



Colecionador


Aqui jaz o trôpego pensamento
Vítima de sua própria ineficácia
Preso na sua falta de audácia
Perdido no seu próprio esquecimento

Os dias o transformarão em pó
A luz finalmente se apagará
Seu precioso tempo não mais gastará
Ninguém irá desatar os seus nós

Sua ideia respirando com dificuldade
Será vítima da mesma realidade:
'O fim imaterial das matérias'

Sua mente respirando com aparelhos
Não irá se arrumar diante dos espelhos
Se tornará inúmeras bactérias.


- Sérgio Schiapim

"Feito em poucos minutos, ainda sobre o mesmo tema do poema anterior..."




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domingo, 26 de agosto de 2012



Esquecido


Vazio, vítima de uma morte interna
O núcleo central de cada célula em curto
As ideias desfilam vestidas de luto
Em círculos, sobre essa visão externa

Controlado pelo contorno das letras
Trôpego, reduzindo sua velocidade
Sentir a perda de sua habitual capacidade
Com o deslizar lento da caneta

Cansado...
                 Lento...
                             Volto...
                                         e tento.
Entre tantas curvas, reconhecer
Explorando as ideias onde me escondi

                                                      Procuro...
                                    Contorno...
                       Apago...
E experimento.
Contornando os degraus que acabo de descer
Perguntando: Onde foi que me perdi?!


- Sérgio Schiapim



'- Eu tive que me sentir um finado pra entender que o pior óbito é mental. - Pachá"




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quarta-feira, 15 de agosto de 2012



Teor Alcoólico 


Seu sorriso é um convite, desfocando a minha visão
"Azz veizz... meche com a concentração."
Ele se abre, libertado sem causa.
Brilha, deixando ainda mais lindo o seu rosto
E, enquanto ele permanece em seu posto,
Toda poesia em mim lhe concede uma pausa.

Todas as palavras voando sobre nós
Fechamos os olhos, ouvindo apenas a voz
De todas as poesias que marcaram nossas vidas
Seu espasmo carinhoso seria uma nota
Do arpejo natural que me conforta
Num caminho só de ida.

Mas você me obriga a prestar atenção
Em cada parte da nossa conversação
Pensa em algo, falando sobre outro tema
Mudando de assunto rapidamente
Bagunçando a minha mente
Mas eu sobrevivo a esse dilema.

Ignorando as crenças quotidianas
Me ensinou sobre as variáveis humanas
Não nos reduzindo a apenas metade
Não subtraindo um do que são dois
Quando a individualidade que deveras sois
Soma com outra individualidade.

Eu só posiciono as letras no papel amaçado
Que o tempo deixará amarelado
Todas as minhas ideias bagunçadas
A ansiedade em cada respiração
Você me dando inspiração
Deixando todas as letras agitadas

Linda, atrapalhada, esquecida e engraçada,
Completo toda frase inacabada
Sendo fácil encontrar poesia em você
A caneta apenas desliza
Como o tocar de uma brisa
Quando passo a escrever

Agregado ao peito, algumas palavras escritas
Que nem são tão bonitas
Comparadas ao tocar da luz do sol na sua face
Quando você o admira
Enquanto inspira e expira
É meu turno de admirar esse enlace

O ritmo das minhas letras me direciona
Quando a próxima estrofe se posiciona
Deixando mais próximo o fim
Obrigado por acordar querendo me ver
Aceite o que acabo de escrever
Levando um pouco de mim.


- Sérgio Schiapim


'- Uma frase foi tirada da música do Projota - Azz Veizz. Outras duas foram tiradas da música Castelo de Areia, do Onni"




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